§ 01

Visão geral

N S A I Ds

N S A I Ds

Mechanism of Action Diagram

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são as medicações mais usadas no mundo no manejo da dor — abrangem desde produtos de venda livre como ibuprofeno e naproxeno até prescrições como celecoxibe e indometacina. Atuam pela inibição das enzimas ciclo-oxigenase (COX), reduzindo a síntese de prostaglandinas — mediadoras-chave da inflamação, da sensibilização à dor e da febre.

Em síndrome dolorosa miofascial (SDM) e em dor por pontos-gatilho, os AINEs oferecem benefício moderado . Reduzem a inflamação local e diminuem o limiar dos nociceptores periféricos, o que ajuda a aliviar a dolorimento e a hipersensibilidade dos pontos-gatilho ativos. Por outro lado, não tratam a fisiopatologia central do ponto-gatilho — a placa motora disfuncional, a contração sustentada do sarcômero, a isquemia local e a “crise energética” que define o ponto-gatilho miofascial.

Os AINEs reduzem inflamação com eficácia. Mas, como o ponto-gatilho miofascial envolve mais do que inflamação, AINEs sozinhos raramente resolvem o problema.

Os AINEs são mais úteis em crises agudas de dor miofascial e como parte de uma estratégia multimodal. Podem reduzir a dor o bastante para o paciente participar da fisioterapia, dos programas de alongamento e de outras intervenções ativas que de fato atuam sobre o ponto-gatilho. Como terapia diária prolongada, oferecem alívio incompleto e expõem o paciente a riscos gastrointestinais, cardiovasculares e renais cumulativos, sem resolver a causa da dor.

§ 02

Mecanismo de ação

Os AINEs exercem seus efeitos terapêuticos pela inibição das enzimas ciclo-oxigenase, bloqueando a conversão de ácido araquidônico em prostaglandinas. Entender a distinção entre inibição da COX-1 e da COX-2 é essencial tanto para o uso terapêutico quanto para a gestão de risco.

Mechanism of Action

Mechanism of Action

Mechanism Diagram

Inibição da COX-1

A COX-1 é uma enzima constitutiva expressa em quase todos os tecidos — incluindo mucosa gastrointestinal, rins e plaquetas. Mantém a produção de prostaglandinas protetoras para a integridade da mucosa gástrica (PGE2, PGI2), regulação do fluxo renal e agregação plaquetária via tromboxano A2 (TXA2). A inibição da COX-1 é a principal responsável pelos efeitos adversos dos AINEs — erosão gástrica, redução da perfusão renal e efeito antiplaquetário — e não pelo benefício analgésico no manejo da dor.

Inibição da COX-2 (alvo terapêutico principal)

A COX-2 é uma enzima induzível, ativada em locais de lesão tecidual e inflamação. É o alvo terapêutico principal dos AINEs no alívio da dor. Em pontos-gatilho ativos, mediadores inflamatórios estimulam a expressão de COX-2, que aumenta a produção de prostaglandinas pró-nociceptivas. Ao bloquear seletivamente a COX-2, os AINEs reduzem a síntese de prostaglandinas no foco da dor sem — em tese — o mesmo grau de efeitos adversos gastrointestinais e plaquetários (a seletividade varia entre os fármacos).

Via de síntese das prostaglandinas

A via começa com a clivagem dos fosfolipídios de membrana pela fosfolipase A2, que libera ácido araquidônico. As enzimas COX convertem esse ácido em PGG2, depois reduzido a PGH2. A PGH2 é o precursor comum de todos os prostanoides: PGE2 (sensibilização à dor, inflamação, febre), PGI2/prostaciclina (vasodilatação, proteção gástrica) e TXA2/tromboxano (agregação plaquetária, vasoconstrição). Os AINEs bloqueiam a conversão do ácido araquidônico em PGG2, interrompendo toda a cascata seguinte.

Reversão da sensibilização nociceptiva periférica

A PGE2 é a prostaglandina-chave na sensibilização periférica. Liga-se aos receptores EP nos terminais nociceptivos, ativa cascatas de sinalização das proteínas quinases A (PKA) e C (PKC) que fosforilam canais de sódio resistentes à tetrodotoxina (Nav1.8, Nav1.9) e receptores TRPV1. Isso reduz o limiar de disparo dos nociceptores: estímulos antes não dolorosos passam a doer (alodinia) e estímulos dolorosos são amplificados (hiperalgesia). Os AINEs revertem essa sensibilização ao reduzir os níveis de PGE2.

Inibição central da COX-2

A COX-2 também é expressa no corno dorsal da medula, onde participa da sensibilização central — estado de processamento amplificado da dor no sistema nervoso central. Estímulo nociceptivo persistente vindo dos pontos-gatilho induz expressão medular de COX-2, com aumento da PGE2 no líquor. Isso intensifica a transmissão glutamatérgica excitatória e reduz a transmissão inibitória glicinérgica nos neurônios do corno dorsal. AINEs com boa penetração na barreira hematoencefálica (a maioria dos AINEs lipofílicos atravessa) podem reduzir esse componente central.

Outros mecanismos além da COX

Alguns AINEs têm efeitos que vão além da inibição da COX. Diclofenaco e ácido acetilsalicílico podem inibir o NF-kB, fator de transcrição que dirige a expressão de citocinas inflamatórias (TNF-alfa, IL-1beta, IL-6). Certos AINEs reduzem a liberação de substância P em terminais nervosos sensitivos e podem modular a produção de óxido nítrico. Esses efeitos pleiotrópicos contribuem de forma variável para o perfil analgésico, mas não são o mecanismo principal da maior parte dos AINEs em uso clínico.
§ 03

Inibidores não seletivos da COX

Os AINEs não seletivos inibem tanto a COX-1 quanto a COX-2. São a classe mais disponível e usada, com vários representantes em venda livre no Brasil. A ausência de seletividade leva a boa eficácia anti-inflamatória e analgésica, com risco gastrointestinal mais alto do que o dos seletivos para COX-2.

Ibuprofeno

Não seletivo

Advil, Alivium, Buscofem, Motrin

Posologia200–800 mg a cada 6–8 horas
Dose máxima diária3.200 mg/dia
Meia-vida2 horas
É o AINE mais usado no mundo. Disponível sem prescrição (200–400 mg) e com prescrição (600–800 mg) no Brasil. A meia-vida curta exige doses frequentes para alívio sustentado. Início de ação rápido (30–60 minutos). Em geral, é a primeira escolha oral para crise miofascial pelo amplo histórico de segurança e disponibilidade.
Best For →Indicação preferencial — Crises agudas de SDM

Naproxeno

Não seletivo

Flanax, Naprosyn

Posologia250–500 mg a cada 12 horas
Dose máxima diária1.250 mg/dia (no primeiro dia, 1.500 mg)
Meia-vida12–17 horas
A meia-vida longa permite uso 2 vezes ao dia, o que melhora a adesão. O naproxeno costuma ser apontado como o AINE com perfil cardiovascular mais favorável, sendo preferível em pacientes com fatores de risco cardiovascular. O risco gastrointestinal é discretamente maior do que o do ibuprofeno por causa da supressão prolongada da COX-1.
Best For →Indicação preferencial — Alívio sustentado com 1 a 2 doses por dia. Considerado o AINE com perfil cardiovascular mais favorável.

Diclofenaco

Não seletivo

Cataflam, Voltaren

Posologia50–75 mg a cada 8–12 horas (oral)
Dose máxima diária150 mg/dia
Meia-vida1,2–2 horas
Disponível por via oral, em gel tópico (1%), em adesivos e em supositórios (no Brasil, gel e oral são os mais usados). A forma tópica é especialmente útil na dor miofascial: alcança concentrações terapêuticas no músculo superficial com mínima exposição sistêmica. O diclofenaco oral tem risco hepático e cardiovascular um pouco maior que ibuprofeno e naproxeno.
Best For →Indicação preferencial — Dor miofascial localizada

Piroxicam

Não seletivo

Feldene, Inflamene

Posologia20 mg uma vez ao dia
Dose máxima diária20 mg/dia
Meia-vida50 horas
Pouco usado como primeira escolha em dor miofascial pela meia-vida muito longa e pelo risco gastrointestinal correspondente. A supressão prolongada da COX-1 aumenta a chance de úlcera péptica, sobretudo em idosos. Pode ser considerado quando a dose única diária é essencial e os agentes de meia-vida curta falharam.
Best For →Indicação preferencial — Posologia única diária para uso prolongado. A meia-vida muito longa proporciona cobertura constante.

Indometacina

Não seletivo

Indocid

Posologia25–50 mg a cada 8 horas
Dose máxima diária200 mg/dia
Meia-vida4,5 horas
Inibidor potente da COX, com penetração relevante no sistema nervoso central. Conhecido por efeitos adversos neurológicos mais frequentes (cefaleia, tontura, confusão) em comparação com outros AINEs. Reservado para casos em que outros AINEs falharam. Toxicidade gastrointestinal mais alta. Não é primeira escolha em dor por ponto-gatilho típica.
Best For →Indicação preferencial — Casos refratários

Cetoprofeno

Não seletivo

Profenid

Posologia50–100 mg a cada 6–8 horas
Dose máxima diária300 mg/dia
Meia-vida2–4 horas
A forma oral é amplamente disponível no Brasil. O gel tópico tem boa penetração tecidual e é usado para dor musculoesquelética. Alguns estudos sugerem permeação cutânea superior ao gel de diclofenaco. O cetoprofeno oral tem eficácia e perfil de efeitos adversos semelhantes aos do ibuprofeno.
Best For →Indicação preferencial — Disponível como gel tópico no Brasil. Boa penetração tecidual quando aplicado topicamente.
§ 04

Inibidores seletivos da COX-2 (coxibes)

Os coxibes foram desenvolvidos para preservar os benefícios anti-inflamatórios e analgésicos dos AINEs poupando a COX-1, com redução da toxicidade gastrointestinal. Esse objetivo foi atingido, mas surgiram preocupações cardiovasculares depois da retirada do rofecoxibe (Vioxx) do mercado em 2004 por aumento de risco de infarto.

Celecoxibe

Seletivo COX-2

Celebra

Posologia100–200 mg a cada 12 horas
Dose máxima diária400 mg/dia
Meia-vida11 horas
Inibidor seletivo da COX-2 amplamente disponível no Brasil. Eficácia analgésica e anti-inflamatória comparável aos AINEs não seletivos, com risco de eventos gastrointestinais sérios substancialmente menor. O risco cardiovascular é dose-dependente — 200 mg duas vezes ao dia tem risco maior do que doses menores. O ensaio PRECISION mostrou não inferioridade em segurança cardiovascular em relação a naproxeno e ibuprofeno em doses moderadas (100–200 mg de 12/12 h).
Best For →Indicação preferencial — Pacientes com risco gastrointestinal aumentado que precisam de AINE oral

Etoricoxibe

Seletivo COX-2

Arcoxia

Posologia60–90 mg uma vez ao dia
Dose máxima diária120 mg/dia
Meia-vida22 horas
Disponível no Brasil e em vários outros mercados (não foi aprovado pelo FDA nos EUA). Apresenta a maior seletividade COX-2 entre os coxibes disponíveis. A meia-vida longa permite dose única diária. Boa analgesia em dor musculoesquelética. Perfil cardiovascular semelhante ao de outros coxibes — risco dose-dependente.
Best For →Indicação preferencial — Posologia única diária com forte seletividade para COX-2
§ 05

AINEs tópicos (frequentemente a melhor escolha em dor miofascial)

Os AINEs tópicos merecem atenção especial em dor miofascial porque entregam o fármaco diretamente no tecido musculoesquelético afetado, com mínima absorção sistêmica. Para pontos-gatilho superficiais — uma fração relevante dos quadros clínicos — a via tópica alcança concentrações teciduais comparáveis às da dose oral, com fração mínima do risco sistêmico.

Diclofenaco gel 1% (Voltaren Emulgel, Cataflam Pro)

Aplicar 4 g na área afetada 4 vezes ao dia

Biodisponibilidade:6–17% da biodisponibilidade oral
Padrão-ouro do AINE tópico para dor musculoesquelética localizada. Atinge concentração terapêutica no músculo subjacente com nível plasmático que representa apenas uma pequena fração do obtido pela dose oral equivalente, reduzindo de forma marcada o risco gastrointestinal, cardiovascular e renal. Disponível sem prescrição no Brasil. O gel atravessa a pele e alcança tecido subcutâneo e musculatura superficial. Múltiplos ECRs demonstram eficácia em dor musculoesquelética localizada.
Best For →Pontos-gatilho superficiais acessíveis por aplicação tópica — trapézio superior, romboides, extensores do antebraço e tibial anterior

Diclofenaco em adesivo (em mercados específicos)

Aplicar 1 adesivo na área afetada a cada 12 horas

Biodisponibilidade:Absorção sistêmica muito baixa
A apresentação em adesivo de diclofenaco é encontrada em alguns mercados internacionais e ocasionalmente no Brasil via importação. Cada adesivo libera o fármaco de forma sustentada por 12 horas, com mínima absorção sistêmica. Útil em ambientes de trabalho ou esportivos em que reaplicação frequente de gel é inviável.
Best For →Liberação dirigida sobre uma região específica de ponto-gatilho

Cetoprofeno gel 2,5%

Aplicar 2–4 g na área afetada 2–3 vezes ao dia

Biodisponibilidade:Absorção sistêmica baixa
O cetoprofeno tem propriedades lipofílicas que favorecem a permeação cutânea e tecidual. Estudos comparativos sugerem concentrações teciduais profundas mais altas do que com o diclofenaco tópico. A formulação a 2,5% é a mais usada em prescrições brasileiras.
Best For →Disponível no Brasil
§ 06

Evidência clínica em dor miofascial

Evidência moderadaAlívio sintomático, não tratamento definitivo

A evidência para AINEs em SDM é melhor caracterizada como moderada. Vários estudos mostram redução de dor estatisticamente significativa em comparação com placebo, mas a magnitude do benefício é modesta — uma melhora real, porém limitada, na intensidade da dor para boa parte dos pacientes. AINEs superam placebo em dor musculoesquelética aguda, com retorno menor em uso crônico.

A evidência mais sólida apoia o diclofenaco tópico para dor musculoesquelética localizada, com vários ECRs de boa qualidade demonstrando eficácia e poucos efeitos sistêmicos. Para AINEs orais, a base apoia principalmente o uso de curto prazo (menos de duas semanas) em crises agudas, e não terapia de manutenção prolongada.

O trabalho de Shah e colaboradores, que mediram o ambiente bioquímico em pontos-gatilho ativos, fornece um racional sólido para o uso anti-inflamatório: pontos-gatilho ativos têm níveis elevados de mediadores inflamatórios, incluindo prostaglandinas, bradicinina, substância P, CGRP, TNF-alfa e interleucinas. Esses achados sustentam a plausibilidade biológica do uso de AINE em dor de ponto-gatilho, mas também deixam claro que a inflamação é apenas uma parte da fisiopatologia.

Redução modesta

Melhora limitada da dor na EVA em estudos clínicos

Crises agudas

Ciclos curtos rendem mais do que uso crônico diário

Diclofenaco tópico

Evidência mais forte em dor musculoesquelética localizada
§ 07

Riscos gastrointestinais, cardiovasculares e renais

§ 08

Prescrição prática em dor miofascial

Primeira linha: diclofenaco tópico em ponto-gatilho localizado

Para a maioria dos pacientes com dor de ponto-gatilho localizada em músculos acessíveis (trapézio superior, paravertebrais cervicais, extensores do antebraço, tibial anterior), o diclofenaco gel a 1% aplicado 4 vezes ao dia ou cetoprofeno gel a 2,5% aplicado 2 a 3 vezes ao dia diretamente sobre o ponto-gatilho devem ser a primeira intervenção farmacológica. Oferece efeito anti-inflamatório e analgésico local com risco sistêmico mínimo.

AINE oral: ciclos curtos para crises agudas

Quando o AINE oral é necessário, prescreva ciclos de 5 a 10 dias para crises agudas. Ibuprofeno 400 a 600 mg de 8/8 horas ou naproxeno 250 a 500 mg de 12/12 horas são opções razoáveis de primeira linha. O objetivo é reduzir a dor o suficiente para o paciente participar da reabilitação ativa (fisioterapia, alongamento, intervenções em pontos-gatilho), e não suprimir a dor por longo prazo.

Evite uso diário crônico

Uso oral diário crônico de AINE em dor miofascial é sinal de alerta — sugere que os pontos-gatilho não estão sendo tratados adequadamente. Em vez de aumentar dose ou tempo, busque tratamento definitivo: agulhamento seco, infiltração de ponto-gatilho, terapia manual e correção dos fatores perpetuantes (ergonomia, postura, sono, deficiências nutricionais).

Proteção gástrica quando indicada

Coprescreva IBP (omeprazol 20 mg/dia ou pantoprazol 40 mg/dia) quando houver fatores de risco: idade acima de 65 anos, úlcera ou sangramento prévios, uso concomitante de corticoide ou anticoagulante, ou tratamento oral previsto para mais de 10 dias. Considere celecoxibe como alternativa em pacientes que precisem de AINE oral mantido.

Risco cardiovascular: prefira naproxeno

Em pacientes com fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo, história familiar de DCV), o naproxeno é o AINE oral preferencial pelo perfil cardiovascular mais favorável. Evite AINE oral em doença cardiovascular estabelecida, a não ser que o benefício clínico seja claro e não haja alternativa.

Contraindicações absolutas

Evite AINE oral em: doença renal crônica (TFG < 30 mL/min), sangramento gastrointestinal ativo ou úlcera péptica não tratada, terceiro trimestre de gestação (risco de fechamento prematuro do canal arterial), hipersensibilidade a AINE ou doença respiratória exacerbada por AAS, e no pós-operatório imediato de revascularização do miocárdio (CRM).
§ 09

AINEs versus outros analgésicos na dor miofascial

NSAIDs vs Other Pain Medications for myofascial pain

NSAIDs vs Other Pain Medications for myofascial pain

Comparison Chart
Característica
AINEsParacetamolRelaxantes muscularesLidocaína tópicaOpioides

Mecanismo

Inibição da COX, reduz síntese de prostaglandinas
Inibição central da COX, ação periférica fraca. Sem efeito anti-inflamatório.
Depressão do SNC (ciclobenzaprina), agonismo alfa-2 (tizanidina)
Bloqueio de canais de sódio, inibição da condução nervosa local
Agonismo de receptores mu opioides, modulação central da dor

Anti-inflamatório

Sim — mecanismo principal
Não (ou desprezível)
Não
Não
Não

Redução da dor na SDM

Moderada
Leve
Moderada (componente espasmo)
Moderada (efeito localizado)
Forte, mas inadequado em dor miofascial crônica

Atua sobre o ponto-gatilho

Não — apenas controle sintomático
Não
Parcialmente — reduz tensão da banda
Parcialmente — bloqueia nocicepção local
Não — mascara a dor, sem benefício estrutural

Risco gastrointestinal

Moderado a alto (uso crônico)
Baixo
Baixo
Sem risco
Baixo (constipação é comum)

Risco cardiovascular

Dose- e duração-dependente
Baixo
Baixo
Sem risco
Baixo

Dependência / uso indevido

Não
Não
Baixo (tolerância à sedação)
Não
Alto — não recomendado em dor miofascial

Melhor uso na SDM

Crises agudas, adjuvante em esquema multimodal
Dor leve, AINE contraindicado
Distúrbio do sono, espasmo agudo
Dor localizada de ponto-gatilho
Evitar — raramente apropriado

Disponibilidade

Sim (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco tópico)
Sim (paracetamol — venda livre)
Não (apenas com prescrição médica)
Sim (cremes/adesivos)
Não — receita controlada (Portaria SVS/MS 344)
Pontos-chave
  1. AINEs oferecem benefício MODERADO em dor por ponto-gatilho — reduzem inflamação e sensibilização, mas não resolvem a contratura sustentada, a disfunção da placa motora e a isquemia local que mantêm o ponto-gatilho.

  2. AINEs tópicos (diclofenaco gel, cetoprofeno gel) devem ser considerados PRIMEIRA LINHA em dor de ponto-gatilho localizada: entregam o fármaco diretamente no tecido afetado com exposição sistêmica mínima e risco gastrointestinal, cardiovascular e renal muito menor.

  3. AINEs orais funcionam melhor em CICLOS CURTOS (5 a 10 dias) para crises agudas, e não como terapia diária crônica. O objetivo é reduzir a dor o suficiente para o paciente participar da reabilitação ativa — fisioterapia, alongamento e intervenções em pontos-gatilho.

  4. O naproxeno é o AINE oral com perfil cardiovascular mais favorável e deve ser preferido em pacientes com fatores de risco. O celecoxibe oferece perfil gastrointestinal melhor, sob prescrição médica.

  5. NUNCA use AINEs como tratamento isolado para dor miofascial. Eles funcionam melhor dentro de uma abordagem MULTIMODAL que combine fisioterapia (terapia manual, exercício terapêutico) com avaliação médica e, quando indicado, agulhamento ou infiltração de ponto-gatilho realizados por médico (CRM), além de correção ergonômica e manejo dos fatores perpetuantes.

  6. Considere proteção gástrica com IBP (omeprazol, pantoprazol) em pacientes de risco: idade acima de 65 anos, história de úlcera péptica, uso concomitante de corticoide ou anticoagulante, ou qualquer paciente que precise de mais de 10 dias de AINE oral.

  7. O “efeito triplo” de AINE associado a inibidor da ECA/BRA e diurético aumenta de forma significativa o risco de lesão renal aguda. Sempre revise a lista completa de medicações antes de prescrever AINE oral.

  8. Uso diário crônico de AINE em dor miofascial é um sinal de alerta — sugere que os pontos-gatilho não estão sendo tratados de forma adequada. Reavalie e busque tratamento definitivo (agulhamento, infiltração, terapia manual) em vez de supressão farmacológica indefinida.